A loja do tempo

Crônica que nos foi presenteada pela estilista Margot Mello, dona da marca super bacana Ateliê Cortiço. Banco de Tempo continua com seus desdobramentos!

A loja do tempo

Um dia corrido nublado sem muita luz. Ando apressada e ansiosa em direção ao Centro da Cidade. Preciso urgente chegar à loja do tempo. Está em promoção um tempo que eu necessito muito.

Enfim chego à loja. Fico sem paciência, a fila é grande e penso, não tenho tempo para isso! Então é chegada a minha hora de ser atendida. Pergunto ao vendedor, sem demora, se ainda tem o tempo que necessito, eu sei que estava em promoção! O vendedor me responde apressadamente, meio rígido: Não, acabou! Agora só tem tempo com preço normal. Então indago: Será que você não me dá um desconto de pelo menos 5% se eu pagar a vista? Está muito caro! Eu só preciso de duas horas de tempo livre, para amar, comemorar, sorrir, contemplar… Não senhora, não posso fazer isso, esse tempo que a senhora necessita é supérfulo, ele só entra em promoção uma vez por ano e olhe lá, se a senhora quiser temos outros tempos na promoção, tempo para trabalhar, tempo para pagar as contas, tempo para enfrentar engarrafamentos… enfim, esses tempos que são necessários para a vida. Fico desanimada e respondo: Esses tempos eu já tenho em casa em estoque...

Ando em direção a rua com passos lentos e penso, ah que saudades de quando eu era dona do meu tempo, poderia ter vivido mais intensamente, com alegria, com amor, e sem culpa de ter tempo para as coisas simples e realmente valiosas da vida, mas a vida é implacável, e seu tempo finito.            

Intervenção Desejo de Horas                              

Ti amo

Nosso inventário de bancos mundo afora já conta mais de 500 imagens. Virou nosso gesto obsessivo compartilhado. Também recebemos muitas colaborações de amigos, que lembram da gente e de nossa pesquisa e enviam imagens como estas, de um banco em Chiasso, Suiça, da querida Karin Zindel.

Chiasso_Suiça@KarinZindel

Chiasso_Suiça2@KarinZindel

 

Um poema para o Tempo

Nosso amigo Pedro Teixeira enviou este poema logo depois da abertura da nossa exposição em janeiro de 2012:

Teria afinal o tempo, alguma relação com o vento?
Não adianta tentar racionalizar o tempo….Ele é um sopro!
Entre ventos
vi o tempo passar…
era um tempo diferente, que passava na parede,
Não havia contratempos.
Na verdade, era o velho tempo que modificado,
se apresentava agora, em três tempos.
Vi um outro tempo, agora fragmentado.
É o desejo das horas, que faz movimentar o tempo ?
Um banco vazio, ainda ecoa dentro de mim! Aonde estão os caminhos?
***
Maravilha Pedro!

Sopro, video em 3 canais

George Orwell 1984

Hoje encontrei um banco com uma citação de um romance que não lia há anos, 1984 de George Orwell.

Onde: Hammarbyhöjden, Stockholm, Suécia

banco_1984

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Isabel Löfgren & Patricia Gouvêa