Diálogos sobre o tempo

Naquelas duas semanas conversamos com muitas pessoas desconhecidas no parque do Museu da República. Uma tarde vimos uma moça sozinha e perguntamos se poderíamos conversar com ela um pouquinho. Depois de fazer algumas entrevistas e passada a nossa timidez, já não hesitávamos tanto ao abordar uma estranha. Ela estava sentada em um banco de frente para o lago. Quando nos aproximamos, notamos que ela estava com o rosto inchado e coberto de lágrimas. Sentimo-nos como intrusas e um pouco encabuladas. Dissemos que estava tudo bem, não precisávamos conversar naquele momento. Mas ela se virou para nós e disse: “Podem ficar, eu estou triste com uma coisa que aconteceu, mas logo logo passa”. “Você vem muito aqui?”, perguntamos. Essa era a primeira pergunta do roteiro de entrevistas. “Sim”, ela respondeu.

Disse que vinha ao parque porque era o único lugar naquele bairro agitado, fora de casa e do trabalho, em que conseguia ficar só por alguns instantes, longe do namorado problemático, do chefe opressor e do filho carente de atenção. Disse que sua vida era muito agitada e cheia de compromissos e que, por breves momentos, sentar à beira do lago observando os patos era o que lhe dava paz. Continuamos a entrevista seguindo o roteiro das perguntas, com as respostas entremeadas pelo desabafo da moça que chorava, sem no entanto nos revelar por quê. Quando as lágrimas deixaram de rolar, ela abriu um sorriso e disse: “Você sabe, tem horas que tem que ser você com você.”

Essa frase parecia feita de encomenda para o nosso projeto, pois o que queríamos obter dessas conversas com tantas pessoas extraordinárias era justamente isso: uma reflexão sobre o tempo, sobre como gostariam de usá-lo, se ele lhes sobrasse. Você deseja mais horas para quê?

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Um senhor estava sentado num banco e tinha ao seu lado uma pasta e alguns livros. Embora parecesse cansado, se mostrava bem disposto, embora com um certo ar de preocupação. Como fizemos tantas vezes, perguntamos se podíamos conversar um pouco com ele. Queríamos saber o que eram aqueles livros, o que havia naquela pasta, se estava estudando, etc. Deu para ver que eram livros técnicos sobre programas de AutoCad, ou algo parecido. O senhor – era engenheiro – nos conta que nos anos 1980 havia trabalhado em uma firma de geotécnica onde aprendera todos os programas de computação necessários para estar na vanguarda da profissão. Mas o emprego, que esperava ser para toda a vida, não durou. Havia seis meses que ficara desempregado e não teve coragem de contar à esposa. Todos os dias, ele saía de casa como se fosse para o trabalho, mas passava horas vagando no centro da cidade à procura de emprego. Na pasta havia cópias de seu currículo, que nos foi descrito, item por item, com um misto de orgulho, nostalgia e frustração. À tarde, sem ter mais para onde ir, ia ao parque para esperar o tempo passar até a hora de voltar para casa, lá pelas seis horas, para que a esposa não percebesse a situação. Ainda eram quatro e meia. “E o que fazer com todo esse tempo?”, perguntamos. Ele, um pouco otimista, responde que, se dispusesse de mais tempo, o usaria para aprender novos programas, adquirir novos conhecimentos. Assim, certamente poderia arranjar um novo emprego, apesar de já contar 67 anos. “Esse tempo seria importante para não ficar nesta situação.”

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Enquanto filmávamos as sequências de Rotas de Fuga em torno do chafariz situado no meio do parque, percebemos uma senhora que circulava pelo parque, ora com uma criança, ora sozinha. Uma manhã resolvemos abordá-la perto do parquinho, local onde um exército de babás e vovós se sentam sob o sol cuidando das crianças. O parque é um dos poucos lugares do bairro onde se pode levá-las para brincar com segurança, sem medo de estranhos e não tendo que enfrentar o trânsito caótico do Rio de Janeiro. Nós a encontramos também sentada num desses bancos. Era uma senhora tipicamente carioca, bonita, bronzeada, de bem com a vida e falando com aquele sotaque simpático que mistura português correto com gírias da geração de nossas mães com palavras como “bárbaro”, que ressoam como um túnel do tempo para alguém que cresceu dizendo “maneiro”. Vinha diariamente ao parque com sua neta, antes de levá-la para o colégio. A única coisa que a impedia dessa rotina era a chuva. Sem cerimônia, passou a descrever sua família. “Você sabe, né, minha filha é muito bonita e o marido dela não aguentou não. Quando a Rafaela fez dois anos, eles se separaram. Mas ele é um rapaz muito legal; vive lá em casa. O problema é que a minha filha ganhava mais que ele e logo se encantou com outro rapaz, também muito simpático. Eu e o Nelson, o meu marido, estamos casados há mais de 30 anos e a gente não entende muito bem essa juventude; mas, vá lá, a gente está aí para cuidar também dos netos, não é mesmo?…” E prosseguiu. Por causa da filha, era ela quem cuidava da rotina da menina de 6 anos, de quem não tirava os olhos. Ela contou que mesmo tendo uma boa situação, sua vida era muito agitada no “leva pra lá, leva pra cá” e “não sobra um tempinho para pregar um botão!”. “Puxa, como seria bom poder pregar um botão, ou mesmo arranjar tempo para preparar aquele empadão!”

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Já do outro lado do parque, mais próximo ao café e ao Museu da República, que, por óbvios motivos, passamos a chamar de “ala da leitura”, reúnem-se em torno da pequena fonte de mármore todos os leitores do parque. A biblioteca ambulante se compõe de livros e publicações dos mais variados gêneros e é consultada por diversos tipos de pessoas, desde a moça que senta ali para estudar as matérias da faculdade, à dona de casa mais simples, ou mesmo a empregada, que aproveita a ocasião para consultar os folhetos de promoção de alguma loja. Sem contar os habituados a fazer palavras cruzadas.

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Uma tarde, um senhor chamou a nossa atenção. Ele segurava um livro pequeno, que lia atentamente. Usava óculos e estava bem vestido e sereno. Sentamo-nos ao seu lado, como fizemos com tantas outras pessoas, à espera de uma boa conversa. Como algumas vezes acontece, ao invés de entrevistarmos uma pessoa, é ela quem acaba nos entrevistando. “Já leram a Bíblia, senhoritas?” Com a vergonha de alunas que acabam de ser descobertas em sala de aula com o dever de casa por fazer, respondemos, faceiramente: “Talvez não essa passagem que o senhor tem diante de si.” E o senhor, que, embora brasileiro, tinha um sotaque um pouco espanholado, desata a citar passagens da Bíblia, em algum lugar do Gênesis. Com o conhecimento de alguém que tem o livro dos livros na memória, ele nos relata com entusiasmo o que lê, fazendo-nos perguntas que não sabíamos como responder e fazendo citações que avidamente anotamos nos espaços em branco do nosso questionário. Extraímos de sua fala o que julgamos ser importante e, por correção quase jornalística, nos certificamos de poder reproduzi-las quando nos diz que Jesus está entre nós para pregar a palavra, que o ser humano só encontra a resposta verdadeira quando entende que a vida serve para caminhar sem destino, que temos que ter coragem para largar o mundo e abrir o nosso espírito para ver a operação de maravilhas, e para que, depois de todas as errâncias, possamos descobrir o nosso nome no mundo. *** No parque convivem vários mundos interiores que dialogam uns com os outros através de olhares contemplativos daqueles que povoam suas aleias e ocupam seus bancos. São pensamentos e conversas com sotaques de todos os cantos do Brasil e do mundo. Todas as tardes, uma pequena colônia de portugueses aposentados se reúne ali para jogar sueca. (A ironia de portugueses jogando sueca parece até uma brincadeira referente à ascendência portuguesa de Patricia e à ascendência sueca de Isabel.) Uma senhora portuguesa uma tarde nos contou que chegou ao Brasil nos anos 1950, grávida de seu primeiro filho, para começar uma vida nova em um lugar onde somente o idioma era comum. Do povo da aldeia que deixou para trás manteve o espírito trabalhador e guardou as receitas de pratos de bacalhau que iriam ficar famosos no restaurante que abriu com o marido. Hoje, a sua terra é o parque nas tardes de sol. Quando perguntamos o que faria se dispusesse de mais tempo, ela nos respondeu: “Usaria o tempo para trabalhar mais.”

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Talvez, devido à influência francesa de seu projeto, o parque se preste bem para os encontros românticos. Não raro, percebemos casais se beijando. São jovens namorados que talvez não tenham outro lugar para se encontrar. Ou ainda um par de jovens moças trocando carícias. Os mais adultos podem ser casais já constituídos aspirando o ar puro da manhã ou passando a tarde longe do lar. Ou talvez amantes que só possam encontrar-se furtivamente em determinadas horas do dia. Quando fizemos a pergunta-padrão a um desses casais, “Se você tivesse mais horas…”, o rapaz respondeu resoluto: “Eu desejaria mais tempo para ir aonde ela quiser ir.”

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Um dos grandes problemas das cidades grandes e construídas desordenadamente é a falta de espaços públicos próprios para repouso. Para momentos contemplativos, sim, mas, para o sono, uma simples soneca é mais difícil. O sono é coisa íntima. Afinal, a cidade é um lugar de movimento, e o lugar de repouso é a casa. Entretanto, na Ásia, dormir é algo tão importante que, quando se tem sono, dorme-se em qualquer lugar. É comum ver nas ruas da Índia ou da China pessoas recostadas em algum lugar que possam ocupar. Elas parecem não se importar se um estranho as observa. No nosso parque, muitas vezes vimos pessoas recostadas, dormindo – o banco da praça é, afinal, do morador de rua. Um deles certa vez me respondeu que o parque é somente para sonecas breves durante o dia, pois fica fechado à noite. Caso ficasse aberto à noite, seria a sua casa. Com mais horas em um dia, ele disse que pensaria sobre a Cinelândia, pois tem muitos amigos lá. “Os amigos”, ele diz, “são aqueles que fazem daquele lugar a sua morada.”

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Na Física Quântica, o possível se converte em real por meio da mera observação. Assim, associamos essa observação ao chamado fluxo do tempo. Um lugar, então, é tanto memória quanto vivência. Um senhor sentado em um banco, quando perguntado sobre o tempo, imediatamente se imagina no mesmo banco meio século atrás e nos diz: “Se eu tivesse mais tempo, eu voltaria para aquele instante neste mesmo lugar e pararia para pensar no enterro de Getúlio, porque eu estava lá.”

Ver também:

Instalação Desejo de Horas

Obra-poema

We spent two weeks talking to strangers at the Museum of the Republic’s gardens. One afternoon, we approached a young woman sitting on a bench and asked if we could talk to her for a little while. After conducting some interviews and having overcome our shyness we had no problem in approaching to someone we didn´t know. She was sitting on a bench facing the lake. When we got closer we noticed her face was swollen and bathed in tears. We felt like intruders and somehow embarrassed. We told her it was alright, that we didn´t have to talk at that time. However she said: “You can stay, I’m sad about something that happened to me, but it will soon be over.”

“Do you come here often?”, we asked. This was the first question of our interview script. “Yes, I do.”  Before we asked her the second question – “Why?” – she kept on talking. She said she used to come to the park because it was the only place in that bustling neighborhood, outside her home and her work, where she could, for some time, stay away from her problematic boyfriend, her oppressive boss and her son in need of attention. She said her life was very hectic and full of commitments and that, if only for brief moments she sat by the lake watching the ducks, it gave her some peace. We went on asking her the questions. Her answers implied she was getting it all off her chest whilst she went on crying without nevertheless telling us why. When her tears stopped streaming down her face, she smiled and told us: “You know, there are times you must spend with yourself and yourself only”.

This sentence seemed to have been made-to-order for our project, as from the very beginning this was exactly what we intended to draw from the conversation we had with so many extraordinary people: a reflection on time, on how they would like to use any surplus time they might have. What do you want additional hours for?

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A gentleman was sitting on a bench and by his side there were a briefcase and some books.  Although he looked tired he seemed to be in good health, despite seemingly somewhat concerned. As we did so many times before, we asked him whether we could talk a bit. We would like to know what kind of subjects did those books address, what was inside his briefcase, whether he was studying. We could see they were textbooks on AutoCad programs or something like that. The man – he was an engineer – told us that back in the eighties he worked at a geotechnical company where he learnt all of the software required to be at the forefront of his profession. Although he thought his job was for life, it didn’t last long. He was unemployed for six months now and he didn’t have the nerve to tell his wife. Every day he would leave home in the morning as if he were going to work; instead he spent hours job hunting downtown. His briefcase contained copies of his résumé, and he described item by item to us with a mixed feeling of pride, nostalgia and frustration. In the afternoons, having nowhere else to go, he went to the park to spend some time before going home around six p.m., so that his wife wouldn’t notice his situation.  It was now half past four in the afternoon. We asked him what he would do if he was given more time. He replied, somewhat optimistically, that should he have more time, he would use it to learn new software. With this additional knowledge he would certainly get a job, even at the age of sixty-seven. “This extra time would be important for me to upbeat this environment.”

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While shooting the sequences for the video piece Vanishing Routes around the fountain in the park, we noticed a lady going back and forth, sometimes with a little girl, other times all by herself. One morning we decided to approach her near a playground area where many nannies and grandmothers sit under the sun and watch the children. The park is one of the very few places in the neighborhood where it is possible to let children play safely without fearing strangers or having to face the chaotic traffic jams in Rio de Janeiro.

We found her sitting on one of the benches. She was a typically beautiful, tanned carioca  lady, apparently enjoying her life. Her drawl was very likable, a mixture of both a correct Portuguese and a slang typical of our mothers’ generation, with words such as “grand” which sounded like a tunnel of time to someone who grew up saying “awesome”. She went to the park every day with her granddaughter before taking the girl to school. Rain was the only thing that kept her from following this routine. In a very casual way, she went on describing her family. “You know, my daughter is very beautiful and one day her husband simply couldn’t stand his situation anymore. When Rafaela was two, they split up, but he is a great guy, he comes to my place very often. The problem was that my daughter earned more money than him, and she soon met another man, who was also very nice.  Nelson, my husband, and I have been married for over 30 years and we don’t fully understand today’s youth but, well, our mission is also to take care of our grandchildren, right?…”  She went on and on. Due to her daughter’s job, this lady was the one who looked after her 6-year old granddaughter and she kept an eye on her at all times. She told me that, despite her family´s steady financial situation, life was really hectic and she was always on the go and  “I don’t even have time to sew a button!” “Gee, it would be really nice if I had time to sew a button, or even to bake that pie!”

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For obvious reasons, we started calling “the reading alley,” the area closer to the coffee shop and the museum itself. All the park readers gather there, around a small marble fountain. This nomadic library entails books and publications of all kinds and it is consulted by several people, from the college girl who sits on a park bench to study, to the simplest housewife or even a maid who in her spare time sits on a bench to find out what’s on sale on some store promotional flyers.  Not counting those who fill in crossword puzzles.

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One afternoon, a gentleman called our attention. He held a small book and was reading it attentively. He was wearing glasses, was well dressed and seemed calm. We sat by his side as we did with so many people, looking forward to a productive chat. Sometimes, rather than interviewing people, they interviewed us. “Young ladies, have you ever read the Bible?” Just like students caught in the act for not having the homework done, we gave him a coquettish smile and replied: “Maybe not this passage you are showing us now.”  Although this gentleman was Brazilian, he had a somewhat Spanish accent and started quoting sentences of the Bible somewhere from the Book of Genesis. With the knowledge of those who are acquainted with the Book of Books by heart, he passionately reported what he read and asked us questions we couldn´t answer and quoting parts that we eagerly wrote down on the margins of our questionnaire. From the things he told us, we selected some parts that we assumed were important. For the sake of almost journalistic accuracy we made sure we could quote him when he told us that “Jesus was among us to preach the Word,” and that “human beings can only find the true answer when they understand that life is meant for people to wander aimlessly,” that we “must have the courage to leave everything behind and open our minds to perceive God’s wonders” so that, after “wandering around, we can find out our place in this world.”

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Several inner worlds co-exist in the park; they communicate to one another silently through the contemplative gaze of those who attend the park alleys and sit on its benches. One can hear thoughts and conversations in many different accents from various regions in Brazil and around the world. Every afternoon, a small group of retired Portuguese people get together at the park gaming tables to play quadrille. Portuguese playing quadrille is kind of playful because of Patricia’s Portuguese origins and Isabel’s Swedish background. 

One afternoon a Portuguese lady told us about her arrival in Brazil in the 1950s. She was pregnant of her first child, and starting a new life in a new place whose language was the only thing they had in common. From the village people she left behind she kept their hard-working spirit and many codfish recipes which became very popular in the restaurant she opened with her husband in Rio. Nowadays her home is the park on sunny afternoons. When we asked her what she would do if she had more time, she replied: “I would use this time to work even more.” 

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Maybe the reason why the park is quite suitable for romantic encounters is the French influence over its original design. It is not unusual to see people in love kissing on the park benches. They are young couples that may not have another place to meet. You also see young ladies cuddling up. More mature adults could be established couples breathing some fresh air in the mornings or spending the afternoons away from home. Or perhaps they are lovers who can only meet on the sly at certain hours of the day. When we asked our standard question to one of the couples, “If you had some more hours…,” the young man answered steadily: “I wish I’d have more time to go wherever she wanted.”

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One of the major problems in large, disorderly cities is the lack of public open spaces for relaxation. One can find some public areas that are suitable for meditation but it is not easy to find public places where people can sleep or even take a nap. Sleeping is something intimate. After all, cities are busy places, whereas home is meant for rest. However, in Asia sleeping is so important that people sleep whenever they feel like doing it, regardless of where they are. On streets in China or India it is not unusual to see people leaning against anywhere. They don’t seem to mind if a stranger observes them. In our park, we often saw people leaning on something, sleeping – after all, park benches are the beds for homeless. One of them told us that the park is suitable for naps only as it remains closed during the night. If it opened at night, he would make it his home. If he had some extra hours a day, he told us he would think of Cinelândia, a nearby area in downtown Rio, where he has many friends. “Friends, he said, are those who make that place their home.”

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According to quantum physics, possible things turn into real things by means of sheer observation. Thus we relate this observation to the so-called time fluctuation. A place is, hence, both memory and experience. A certain gentleman sitting on a bench, when asked about what to do with more time, immediately pictured himself sitting on the very same bench half a century ago and replied: ”If I had more time I would go back to that moment in this very place, and I would stop and think about Getúlio’s  burial, because I was there.”

See also:

Installantion Desire for Hours

Poem

 

®2011-2017
Isabel Löfgren & Patricia Gouvêa