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Banco de Tempo 

Tempos diversos e diferentes noções espaciais contidas em um só lugar. De uma fotografia de 1910 do presidente Nilo Peçanha com seus cães em um banco no jardim do Palácio do Catete – então sede da presidência da República –, as artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa partiram de um vestígio de informação e seguiram em uma busca de sequências de instantes que pudessem aderir ao fragmentário mundo da arte. 

Esta exposição, que liga o dentro e o fora da galeria, funciona como uma fita de Moebius unindo um devir contemplativo sobre o tempo e o lugar da ação. Seria a combinação entre espaços públicos de convívio social e elementos subjetivos. A partir de um desejo puramente conceitual, as artistas privilegiaram a palavra e expandiram os suportes – a fotografia e o vídeo – como meditações sobre a carga subjetiva da paisagem que configura o seu campo de ação. 

As artistas utilizaram como estratégia o registro em tempo real de situações simples, como ler, descansar, refletir − experiência visual e sensória voltada para o cotidiano. Os bancos sugerem transitoriedade e ausência de território – contaminações de um fragmento em outro num mesmo tempo. A obra, assim, é repotencializada a cada novo banco. As artistas pensaram em parques e bancos sem fronteiras: bancos para pensar, para meditar, bancos para refletir. 

Tantas vozes. Depoimentos recolhidos investigam tempos vividos, desejos latentes iguais em todos os lugares: desejos de horas. Desejos impossíveis, anseios inalcançáveis. Tanto foi dito, tanto a ser dito. Frases que sugerem, que nos fazem pensar em recortes de tempo, de pensamento, de ideias. Confronto com superfícies fluidas, mas que, paradoxalmente, indicam uma espécie de lugar projetivo e imersivo onde o visitante pode inserir-se – uma ambiência que se substancializa em espaço, que é ao mesmo tempo vivência e acolhimento. 

Isabel Portella, curadora, dezembro de 2011 

 

Histórico do projeto:

Banco de Tempo, 14 de janeiro a 27 de maio de 2012. Exposição e intervenção urbana nos jardins do Museu da República e na Galeria do Lago, Rio de Janeiro.
Curadoria de Isabel Sanson Portella.

Memórias da Imagem – Exposição coletiva de 28 de março a 27 de maio de 2012 na Casa das Onze Janelas, em Belém, Pará. O vídeo “Rotas de Fuga” e a fotografia “Lecture sur l’Herbe” foram obras selecionadas pelo III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia para a exposição “Memórias da Imagem”, em março de 2012.
Curadoria de Mariano Klautau Filho

Benches of time

Different times and various spatial notions are here contained in a single place. Isabel Löfgren and Patricia Gouvêa began their investigation by finding a trace from an early 20th century photograph of former president of Brazil Nilo Peçanha and his dogs sitting on a garden bench in the former presidential gardens. After being immersed in the park over the year, the artists searched for sequences and moments that could be adapted to the fragmented world of art.

This exhibition, which connects the gallery to the parkgrounds, works like a mobius strip that relates the notion of time and becoming to where action takes place. It is a combination of understanding public spaces as spaces of social interaction and its subjective capabilities. From a purely conceptual desire, the artists chose text as their main medium, but also explored other media, such as photography and video, as meditations on the subjective landscape that defines the park as their field of action.

Real-time strategies were used in recording everyday visual and sensory experiences in situations such as reading, resting, meditating. The benches suggest transience and deterritorialization; a contamination of one fragment onto another within a single time frame. The artists thought about parks and benches without borders: benches to think, to meditate, to reflect upon. The concept is thus reinforced in every bench and in every situation.

So many voices have been heard. The testimonials collected from park visitors and imprinted in each bench investigate the notion of time lived and the latent desire for more time: desire for hours – impossible, unattainable desires. So much has been said, so much yet to be said: the sentences spread over the entire park area are clues for us to think about random snippets of time, and thoughts about time itself. We are confronted with fluid surfaces that paradoxically indicate a kind of projective and immersive place for the visitor – an environment that substantiates space and embodies a sense of hospitality in its overall experience.

Isabel Portella
December 2011

Exhibition History:

Benches of Time, from January 14  until May 27, 2012. Exhibition and on-site intervention in the Republic gardens and at Galeria do Lago, Rio de Janeiro, Brazil.
Curated by Isabel Sanson Portella

Memórias da Imagem  (Image memories). Collective exhibition, from March 28 until May 27, 2012, at Casa das Onze Janelas, in Belém, Pará, Brazil. The “Vanishing Routes” video and “Lecture sur l’herbe” photographs were selected by III Diário Contemporâneo Photography Prize for the collective exhibition Memórias da Imagem  – Image memories, March 2012.

Curated by

®2011-2017
Isabel Löfgren & Patricia Gouvêa